Terapia de casal ou terapia para relacionamentos: qual procurar?
Ter problemas em um relacionamento não significa necessariamente que o casal precise fazer terapia junto.
Às vezes, aquilo que aparece dentro da relação está mais relacionado à história de uma das pessoas: ciúme intenso, medo de abandono, dificuldade de confiar, insegurança, necessidade constante de confirmação, dificuldade de criar intimidade ou de sustentar limites. Em outros casos, o sofrimento está sendo produzido ou mantido pela própria dinâmica construída entre os dois.
É essa diferença que ajuda a pensar quando procurar terapia de casal e quando uma psicoterapia individual voltada para questões de relacionamento pode fazer mais sentido.
Na terapia para relacionamentos, o foco está principalmente em compreender como aquela pessoa ama, escolhe, teme, se protege e se posiciona nos vínculos. Na terapia de casal, a relação passa a ser colocada diretamente em questão.
Nem todo problema no relacionamento é um problema do casal
Uma relação pode funcionar como lugar onde questões individuais aparecem com mais força. Alguém pode sentir ciúme intenso em diferentes relacionamentos, mesmo quando não há sinais concretos de traição. Outra pessoa pode se envolver repetidamente com parceiros emocionalmente indisponíveis. Há quem queira proximidade, mas se afaste quando o vínculo começa a se aprofundar.
Esses sofrimentos acontecem dentro de uma relação, mas não necessariamente foram produzidos por aquela relação específica. Nesses casos, a psicoterapia individual pode ajudar a compreender por que determinadas situações despertam reações tão intensas, quais experiências anteriores estão implicadas e que padrões continuam se repetindo.
É o tipo de trabalho que pode aparecer na terapia para relacionamentos: não para encontrar culpados, mas para compreender aquilo que a própria pessoa leva consigo quando entra em um vínculo.
Quando a questão está mais ligada à história individual
Algumas dificuldades podem indicar que vale a pena olhar inicialmente para a experiência de uma das pessoas.
É o caso, por exemplo, de alguém que percebe que:
sente medo intenso de ser abandonado mesmo em relações estáveis;
precisa constantemente de provas de amor ou confirmação;
encontra muita dificuldade para confiar;
se envolve repetidamente com pessoas que oferecem pouco;
tem dificuldade de estabelecer limites;
abandona necessidades próprias para evitar conflitos;
se afasta sempre que uma relação começa a ficar mais íntima;
vive términos diferentes que parecem terminar sempre no mesmo lugar.
Não se trata de concluir que “o problema está na pessoa”. Trata-se de reconhecer que relacionamentos também mobilizam histórias anteriores, modelos familiares, perdas, inseguranças e formas de proteção que foram construídas muito antes daquele parceiro aparecer.
Às vezes, mudar de relação não modifica o sofrimento porque aquilo que se repete continua sendo levado para o vínculo seguinte.
Quando a terapia de casal pode fazer mais sentido
Em outras situações, não é suficiente compreender apenas cada pessoa separadamente. O problema está justamente naquilo que se construiu entre os dois.
Pode existir uma comunicação que rapidamente se transforma em acusação e defesa. Um parceiro fala, o outro se fecha. Quanto mais um tenta se aproximar, mais o outro se afasta. A distância produz novas cobranças, que produzem ainda mais afastamento.
Nesse caso, o ciclo pertence à relação.
A terapia de casal pode fazer sentido quando os dois desejam compreender o que está acontecendo entre eles e existe alguma disposição para colocar o próprio vínculo em questão. Isso pode ocorrer diante de conflitos recorrentes que nunca parecem chegar a uma resolução; dificuldades de comunicação; diferenças importantes de expectativas sobre a relação; distanciamento emocional ou sexual; dificuldade para expressar necessidades e sentimentos; conflitos envolvendo dinheiro, família ou projetos de vida; quebra de confiança depois de uma traição; dificuldade para reconstruir intimidade; ou dúvidas sobre a continuidade da relação.
O objetivo não é decidir quem venceu uma discussão. É compreender o funcionamento daquele vínculo.
Depois de uma traição, por exemplo, a questão deixa de ser apenas individual
Uma traição pode mobilizar inseguranças pessoais anteriores, mas também produz uma ruptura concreta dentro da relação. Nesse momento, não basta simplesmente dizer à pessoa traída que ela precisa trabalhar sua autoestima ou aprender a confiar.
Houve uma quebra de acordo.
Há responsabilidade, dor, raiva, medo e, em muitos casos, uma dúvida real sobre se aquela relação ainda consegue continuar. Quando os dois desejam permanecer juntos, a terapia de casal pode oferecer espaço para compreender o que aconteceu, discutir responsabilidade e pensar se é possível construir novas condições de confiança.
Perdoar não é obrigação.
E reconstruir confiança não significa fingir que nada aconteceu.
Sobrecarga, filhos e divisão de responsabilidades também entram na relação
Em casais heterossexuais, um conflito bastante frequente pode aparecer na divisão de tarefas domésticas, cuidado dos filhos e responsabilidade pela organização da vida cotidiana. Às vezes, a discussão parece ser sobre quem lavou a louça ou quem buscou a criança. Mas o conflito pode envolver algo maior: sensação de injustiça, falta de reconhecimento, esgotamento, diferenças sobre o que cada um entende como responsabilidade e a percepção de que uma pessoa está carregando sozinha a vida familiar.
Nesses casos, o problema não precisa ser interpretado apenas como “dificuldade emocional” de uma das partes. Existe uma organização concreta da relação que precisa ser discutida.
A terapia de casal pode ajudar justamente a tornar visíveis esses acordos, expectativas e ressentimentos que foram sendo acumulados.
E nas relações entre pessoas do mesmo sexo?
Casais homoafetivos compartilham muitas das mesmas questões de qualquer relação: ciúme, sexualidade, dinheiro, comunicação, intimidade, diferenças de desejo e projetos de vida.
Mas também podem existir experiências específicas.
O reconhecimento da relação pela família, experiências anteriores de rejeição, medo de exposição, diferenças sobre viver publicamente o vínculo e pressões ligadas ao pertencimento à comunidade LGBTQIA+ podem atravessar o casal.
Também podem aparecer diferentes modelos de relacionamento.
Em relações abertas, não monogâmicas ou poliamorosas, por exemplo, conflitos podem envolver acordos, ciúme, limites, comunicação e diferenças sobre aquilo que cada pessoa entende por liberdade e compromisso.
O fato de uma relação não ser monogâmica não constitui um problema clínico. A questão é se os acordos estão claros, se existe consentimento e se aquela forma de vínculo consegue ser vivida de maneira possível para as pessoas envolvidas.
A mesma dificuldade pode aparecer nas duas modalidades
A divisão entre terapia individual e terapia de casal não é matemática. Uma pessoa pode procurar psicoterapia individual depois de uma traição e perceber que também existem questões antigas de abandono e insegurança. Um casal pode procurar atendimento por problemas de comunicação e, durante o processo, ficar evidente que um dos parceiros possui dificuldades pessoais que também precisam de um espaço próprio.
Por isso, escolher uma modalidade não significa afirmar antecipadamente onde está “o problema”.
A avaliação inicial serve justamente para compreender melhor a demanda.
O papel do psicólogo também muda
Na psicoterapia individual, o profissional acompanha principalmente a experiência daquela pessoa. Pode investigar sua história, suas escolhas, aquilo que se repete e as formas como ela reage diante de intimidade, rejeição, desejo, conflito e perda.
Na terapia de casal, o psicólogo precisa escutar os dois e, principalmente, aquilo que acontece entre eles.
A relação passa a ser o foco.
Isso significa que a sessão não deve funcionar como um tribunal em que cada pessoa apresenta provas esperando que o terapeuta decida quem está certo. Também não deveria servir para formar uma aliança com um dos parceiros contra o outro. O trabalho está em compreender os movimentos que mantêm determinado conflito e ajudar o casal a criar condições para falar sobre aquilo que sozinho já não consegue discutir.
Como saber qual procurar?
Uma pergunta pode ajudar:
Se eu estivesse em outro relacionamento, essa dificuldade provavelmente continuaria aparecendo?
Se a resposta parece ser sim, talvez exista uma questão pessoal importante a ser compreendida.
Outra pergunta é:
Nós dois queremos entender o que está acontecendo com a nossa relação?
Quando existe um sofrimento construído entre os parceiros e ambos desejam pensar sobre ele, a terapia de casal pode fazer mais sentido. Nenhuma dessas perguntas oferece uma resposta definitiva. Mas elas ajudam a localizar onde parece estar a principal demanda.
Nem sempre é preciso escolher sozinho
É perfeitamente possível chegar à primeira consulta sem saber qual modalidade seria mais indicada. A avaliação também existe para isso. Às vezes, aquilo que parecia inicialmente um problema do casal revela uma questão que precisa de elaboração individual. Em outras situações, duas pessoas passam anos tentando resolver separadamente algo que só consegue ser compreendido quando a relação é colocada no centro da conversa.
O mais importante é não transformar essa escolha em uma busca por quem está errado.
Relacionamentos são construídos por pessoas que possuem histórias próprias, mas também criam dinâmicas que passam a ter uma história comum. Compreender onde está o sofrimento é parte do próprio tratamento.
É dessa forma que procuro trabalhar questões afetivas e relacionais: tentando compreender se a principal demanda está nos modos individuais de se relacionar, na dinâmica construída pelo casal ou em uma combinação das duas coisas.
Atendo adultos e casais presencialmente em São Paulo, na região de Cerqueira César e Jardins. Para quem está em outra cidade ou prefere esse formato, também realizo atendimento online para questões de relacionamento.
Para dúvidas, informações ou agendamento de uma primeira consulta, entre em contato comigo pelo WhatsApp.

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