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Terapia LGBT online: quando privacidade e distância fazem diferença

Foto do escritor: psirodrigotoledo
psirodrigotoledo
há 5 horas
8 min de leitura

Procurar psicoterapia nem sempre começa apenas pela decisão de pedir ajuda.


Para algumas pessoas LGBT, existe uma etapa anterior: encontrar um profissional com quem seja possível falar sobre sexualidade, identidade, relacionamentos e conflitos pessoais sem precisar avaliar o tempo todo se haverá julgamento, constrangimento ou incompreensão.


Essa procura pode se tornar ainda mais difícil quando a pessoa vive fora dos grandes centros, tem poucas opções de profissionais próximos ou simplesmente não deseja ser vista entrando em determinado consultório.


Nesse contexto, a terapia LGBT online não funciona apenas como uma versão à distância do atendimento presencial. Ela pode ampliar possibilidades de escolha, oferecer maior privacidade e permitir que a pessoa procure um profissional pela afinidade com seu trabalho clínico, e não apenas porque ele está geograficamente próximo.


Terapia LGBT online não é apenas uma alternativa ao presencial


Durante algum tempo, a psicoterapia online foi tratada quase como uma segunda opção: algo utilizado quando o atendimento presencial não era possível. Hoje, essa divisão faz cada vez menos sentido. Há pessoas que preferem sair de casa e encontrar presencialmente o terapeuta. Outras percebem que conseguem construir um processo consistente por vídeo e valorizam justamente a possibilidade de estar em um ambiente conhecido durante a sessão.


Para pessoas LGBT, existem ainda algumas questões particulares.


Escolher um terapeuta pode envolver procurar alguém que conheça determinados contextos relacionados à diversidade sexual e de gênero, consiga conversar sobre relacionamentos sem pressupor automaticamente modelos heterossexuais e não transforme orientação sexual ou identidade em explicação para qualquer sofrimento psicológico.


Quando a busca fica limitada apenas aos profissionais disponíveis em determinada região, essa escolha pode se tornar mais difícil. A psicoterapia LGBT online amplia esse campo de possibilidades.


Terapia LGBT online funciona da mesma maneira que a presencial?


A modalidade muda, mas o trabalho clínico continua acontecendo por meio da relação estabelecida entre paciente e terapeuta. Questões como ansiedade, depressão, relacionamentos, sexualidade, autoestima, conflitos familiares, compulsões e dificuldades de intimidade podem ser trabalhadas também no atendimento online.


A escolha entre presencial e remoto depende das condições e preferências de cada pessoa, não de uma superioridade automática de um formato sobre o outro.


Quando morar longe dos grandes centros interfere na escolha do terapeuta


Quem vive em uma cidade grande costuma ter acesso a um número enorme de profissionais. Isso não significa que encontrar o terapeuta adequado seja simples, mas existe possibilidade de escolha.


Em cidades menores, essa realidade pode ser diferente.


Às vezes existem poucos psicólogos disponíveis. Em outras situações, os profissionais fazem parte da mesma rede social da pessoa, conhecem familiares, atendem conhecidos ou circulam pelos mesmos ambientes. Isso não significa que cidades pequenas sejam necessariamente ambientes hostis para pessoas LGBT. Mas redes sociais mais próximas podem tornar a busca por psicoterapia uma experiência diferente.


Uma pessoa pode simplesmente preferir que ninguém saiba que iniciou um acompanhamento psicológico. Outra talvez queira conversar sobre sexualidade antes de ter falado sobre isso com familiares ou amigos. Há também quem não encontre na própria região um profissional cujo trabalho dialogue com aquilo que procura.


Nesse cenário, distância deixa de ser apenas um obstáculo e passa a ser também uma possibilidade de escolha.


Terapia LGBT online é indicada para quem mora em cidade pequena?


Pode ser especialmente útil nesses contextos porque permite escolher um profissional sem ficar restrito à oferta da própria cidade.


Isso pode ser importante tanto pela experiência do terapeuta com determinadas demandas quanto pela privacidade. Não significa que pessoas de cidades pequenas necessariamente enfrentem preconceito ou exposição, mas que o atendimento remoto amplia as opções disponíveis.


Privacidade também pode influenciar a decisão de começar terapia


Existem pessoas para quem marcar uma consulta psicológica é algo absolutamente cotidiano. Para outras, iniciar terapia ainda envolve algum grau de exposição. Quando aparecem questões relacionadas à sexualidade ou identidade de gênero, isso pode adquirir um peso adicional.


Uma pessoa pode querer começar a compreender aquilo que sente antes de falar sobre isso com outras pessoas. Pode estar vivendo um relacionamento que a família desconhece. Pode ter dúvidas sobre sua própria sexualidade. Pode simplesmente desejar que aquele espaço permaneça separado dos ambientes em que circula.


A psicoterapia online pode oferecer uma camada adicional de discrição, desde que a própria pessoa tenha um ambiente em que consiga realizar as sessões com privacidade.


Isso não significa esconder quem se é.


Significa reconhecer que cada pessoa deve poder decidir quando, como e com quem deseja compartilhar aspectos íntimos da própria vida.


A terapia LGBT online oferece mais privacidade?


Ela pode oferecer maior discrição em relação ao deslocamento até um consultório e ao encontro com pessoas conhecidas, mas é importante que o paciente também tenha um espaço privado para realizar as sessões. Privacidade não depende apenas da plataforma utilizada. Depende também das condições concretas em que aquele encontro acontece.


Procurar um psicólogo LGBT online não significa querer falar apenas sobre ser LGBT


Esse é outro ponto importante.


Uma pessoa pode procurar especificamente por um psicólogo LGBT online e chegar à terapia por uma questão completamente diferente de sua orientação sexual ou identidade.


Pode estar deprimida.

Pode estar vivendo dificuldades no trabalho.

Pode sofrer com solidão.

Pode ter terminado um relacionamento.

Pode estar enfrentando compulsões, ansiedade, dificuldades sexuais ou conflitos familiares.


Procurar um profissional com experiência em questões LGBT não significa querer transformar toda a psicoterapia numa conversa sobre sexualidade.


Às vezes significa justamente o contrário.


A pessoa quer poder falar sobre qualquer assunto sem precisar interromper o processo para explicar determinados contextos básicos de sua vida. Uma relação entre dois homens não precisa ser interpretada a partir dos mesmos pressupostos utilizados para uma relação heterossexual. Uma pessoa bissexual não deveria precisar defender a legitimidade de sua orientação antes de conseguir falar sobre os problemas daquele relacionamento específico. Uma pessoa trans não precisa ter toda sua experiência psicológica reduzida à sua identidade de gênero.


Quando determinadas questões já podem ser compreendidas dentro de seu contexto, sobra mais espaço para aquilo que realmente levou aquela pessoa à terapia.


É necessário que o terapeuta também seja LGBT?


Não.


Orientação sexual ou identidade de gênero do terapeuta não determinam, por si só, sua capacidade clínica. Existem excelentes profissionais LGBT e excelentes profissionais heterossexuais trabalhando com esse público.


Mas algumas pessoas se sentem mais confortáveis procurando um terapeuta que tenha familiaridade com determinados códigos, experiências e situações presentes na vida LGBT.


Essa preferência também pode fazer parte da escolha do profissional.


O importante é que exista espaço para falar sobre sexualidade e identidade sem que essas dimensões sejam patologizadas, mas também sem que se tornem assuntos proibidos de serem questionados ou investigados.


Vergonha e medo de julgamento podem atrasar a procura por ajuda


Algumas pessoas passam muito tempo pensando em iniciar terapia antes de realmente marcar uma consulta.


Nem sempre é falta de vontade.

Às vezes existe vergonha.

Vergonha de contar determinadas experiências sexuais.

Vergonha de falar sobre relacionamentos.

Medo de que determinada fantasia seja julgada.

Receio de conversar sobre aplicativos, sexo casual, relações não monogâmicas, dificuldades de intimidade ou situações que a própria pessoa ainda não consegue compreender muito bem.


Há também quem tenha passado anteriormente por experiências ruins com profissionais de saúde e entre numa nova relação terapêutica já esperando algum tipo de julgamento.


A psicoterapia precisa permitir que essa confiança seja construída.


Não é necessário chegar à primeira sessão preparado para contar tudo. Existem assuntos que aparecem rapidamente e outros que só conseguem ser colocados em palavras depois que alguma segurança foi estabelecida.


Tenho vergonha de falar sobre minha sexualidade. Ainda assim posso começar terapia?

Sim.


A pessoa não precisa chegar pronta para falar sobre tudo. A própria dificuldade de colocar determinados assuntos em palavras pode fazer parte do trabalho terapêutico.

O terapeuta não precisa forçar uma revelação. O processo pode acompanhar o tempo necessário para que certos temas consigam aparecer.


O que pode ser trabalhado em uma terapia LGBT online?


Não existe uma lista específica de problemas psicológicos pertencentes às pessoas LGBT. O sofrimento humano continua sendo muito mais amplo do que qualquer identidade.


Ainda assim, algumas experiências podem adquirir formas particulares dependendo da história de cada pessoa. Relacionamentos podem ser atravessados por experiências anteriores de rejeição. A autoestima pode ter sido construída num ambiente em que determinados aspectos da pessoa precisavam permanecer escondidos. O envelhecimento pode adquirir significados específicos. Aplicativos podem funcionar simultaneamente como possibilidade de encontro, validação, sexo, rejeição e comparação. Conflitos familiares podem envolver aquilo que pôde ou não ser dito dentro de casa.


Também podem aparecer ansiedade, depressão, compulsões, solidão, dificuldades profissionais e questões que pouco têm a ver diretamente com sexualidade.


Uma psicoterapia não precisa decidir antecipadamente qual desses temas será central.


O processo começa justamente tentando compreender o que aquela pessoa está vivendo.


A terapia online pode ajudar quem teme exposição?


Pode, especialmente quando a possibilidade de realizar as sessões em um espaço privado facilita a decisão de iniciar o acompanhamento.


Mas existe uma diferença importante entre ter privacidade e precisar permanecer escondido.


O objetivo da psicoterapia não é manter alguém necessariamente protegido do mundo.

Pode ser compreender o que aquela pessoa deseja fazer com sua vida, quais riscos existem de fato, quais medos pertencem à sua história e quais decisões fazem sentido naquele momento.


Para algumas pessoas, o atendimento online será simplesmente uma escolha prática.


Para outras, pode funcionar como uma primeira possibilidade de falar sobre algo que ainda não conseguiram compartilhar em nenhum outro lugar.


Terapia LGBT online também permite escolher além da localização


Esse talvez seja um dos maiores efeitos do atendimento remoto.


Durante muito tempo, escolher um terapeuta significava procurar alguém relativamente perto de casa ou do trabalho.


Com a psicoterapia online, localização deixou de ser o principal critério.


A pessoa pode considerar abordagem clínica, experiência profissional, temas com os quais aquele terapeuta trabalha, estilo de atendimento e identificação com a maneira como ele apresenta seu trabalho.

Isso não significa que distância seja irrelevante.

Existem pessoas que continuam preferindo o encontro presencial.

Mas, quando o online funciona para aquele paciente, ele permite que a pergunta deixe de ser:

“Qual psicólogo atende perto de mim?”

e passe a ser:


“Com qual profissional acredito que consigo desenvolver esse trabalho?”


Como escolher um psicólogo LGBT online?

Vale observar formação, experiência clínica, abordagem, temas de trabalho e a maneira como o profissional apresenta sua prática.

Também é importante perceber como você se sente durante os primeiros encontros. Psicoterapia não exige identificação imediata, mas precisa existir possibilidade de confiança, diálogo e construção de um trabalho conjunto.


Quando procurar terapia LGBT online?

Não é necessário esperar chegar a uma situação extrema.

Algumas pessoas procuram psicoterapia quando existe sofrimento intenso.

Outras começam quando percebem repetições que gostariam de compreender melhor.

Pode ser uma dificuldade recorrente nos relacionamentos.

Uma sensação persistente de solidão.

Ansiedade.

Desânimo.

Problemas relacionados ao trabalho.

Dificuldades sexuais.

Uso de substâncias.

Compulsões.

Conflitos familiares.

Ou simplesmente a percepção de que alguma coisa na maneira como a pessoa está vivendo já não funciona como antes.

O fato de ser LGBT pode ter relação direta com esse sofrimento ou pode ocupar apenas uma pequena parte dele.

É justamente por isso que uma clínica voltada para pessoas LGBT não deve reduzir a pessoa à sua identidade.


Quando devo procurar um psicólogo LGBT online?

Quando existe sofrimento que você gostaria de compreender, quando determinados conflitos começam a se repetir ou quando percebe que precisa de um espaço profissional para pensar sobre aquilo que está vivendo.

Não é necessário apresentar um diagnóstico nem saber exatamente qual é o problema antes da primeira consulta

.

Psicoterapia LGBT online: identidade não precisa ser o centro de tudo


Talvez uma das funções mais importantes de uma clínica que trabalha com pessoas LGBT seja oferecer algo paradoxal.

A identidade precisa poder aparecer.

E precisa também poder deixar de ser o centro.

Uma pessoa deve poder falar sobre ser gay, lésbica, bissexual ou trans quando isso for importante.

Mas deve também poder chegar numa sessão e falar durante cinquenta minutos sobre seu chefe, sua mãe, uma dívida, um término, uma viagem, medo de envelhecer ou qualquer outro aspecto de sua vida sem que tudo seja reinterpretado a partir de sua sexualidade.


Reconhecer a diversidade não significa transformar identidade em explicação universal.

Significa construir um espaço em que ela possa existir sem precisar ser defendida.


Para quem procura atendimento remoto, é possível conhecer mais sobre meu trabalho com psicoterapia LGBT online.


Para quem está em São Paulo e prefere o encontro presencial, também há informações sobre psicoterapia para pessoas LGBT em São Paulo.


A modalidade pode mudar.


O princípio permanece o mesmo: o objetivo não é explicar quem uma pessoa é, mas compreender aquilo que ela está vivendo.


Para informações sobre disponibilidade de horários ou agendamento de uma primeira consulta, você pode entrar em contato comigo pelo WhatsApp.


Psicólogo Rodrigo Toledo Potechi

CRP 06/001760-IS

 
 
 

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